Maternidade em Boa Vista. Foto: Roraima 1

Familiares de uma paciente internada no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth em Boa Vista, relataram à reportagem do Roraima 1 nesta quarta-feira (11) negligência médica e falta de material na única unidade maternidade pública do estado. A paciente, grávida de nove meses, esperou quase 48 horas para ter o bebê.

Segundo Thailine Souza dos Santos, irmã da paciente de 23 anos, a jovem procurou a unidade de saúde ainda no domingo (8), sentindo dores, mas foi orientada a voltar na segunda-feira (9). No dia seguinte, a paciente retornou à maternidade com contrações leves, foi internada, e o médico informou que ainda não tinha dilatação suficiente.

“Estavam vindo contrações leves, aplicaram soro, mas o efeito do soro fez efeito somente na tarde de ontem [10]. Ela ficou com muita dor e foi atendida por um outro médico. Esse médico informou que o bebê estava com 4 kg e precisava fazer uma cesariana, mas que não havia compressa na maternidade.

A irmã da paciente relatou que comprou ao menos oito pacotes de compressa e deixou na unidade, mas a jovem não foi levada ao centro cirúrgico. “Por volta de 22h de ontem [10], depois de sentir muitas dores, passar mal, ter uma convulsão, que minha irmã foi levada para a cirurgia”, relatou Thailine.

Ainda de acordo com a irmã da paciente, diante ao quadro da jovem, a equipe médica nem mesmo usou a compressa comprada pela família e logo buscou resolver a emergência. “Minha irmã precisou sofrer para poder ter meu sobrinho”, relatou Thailine, acrescentando que apesar do transtorno, o bebê e a irmã passam bem.

O que o governo diz
A Direção do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth alega que não procede a informação de a unidade estaria deixando de realizar cesarianas por falta de material.

Para que as medidas ideais sejam adotadas pela unidade, a paciente passa por triagem junto a equipe de enfermagem, para em seguida ser avaliada pelo médico, que verifica as condições do bebê e em que nível está a gestação.

Se a gestante apresentar trabalho de parto ativo, ela é imediatamente levada para o centro obstétrico. Caso contrário, a paciente será apenas encaminhada para o bloco de internação.

A Direção ressalta ainda que o Ministério da Saúde, recomenda que as unidades de todo o país promovam ações que encorajem gestantes a terem seu  bebês por meio do parto natural, uma vez que a cesariana é um procedimento de urgência e emergência, sendo adotada pelo médico somente quando a paciente apresentar dificuldades para o parto normal.

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