75 agentes de diversas instituições uniram forças contra garimpo e a favor da implantação da Bape do Rio Mucajaí. Fotografias: CGIIRC/Funai

Mais de 30 áreas de garimpo ilegal foram fechadas e centenas de invasores foram retirados da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, durante a operação Walopali/Curare XI. A ação apreendeu dezenas de motores, bombas draga, geradores, outros equipamentos utilizados na exploração de minérios e até um helicóptero.

Segundo informações divulgadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) nessa sexta-feira (4), a operação que se encerrou no dia 3 de outubro e teve doze dias de duração, além das apreensões, duas pistas de pouso ilegais de abastecimento ao garimpo.

A ação coordenada pela Funai com apoio de outros órgãos, foi deflagrada para a reativação da Base de Proteção Etnoambiental (Bape), no Rio Mucajaí, estruturas que visam garantir a proteção dos povos indígenas isolados e de recente contato.

Um helicóptero foi apreendido, uma pista de pouso e dezenas de equipamentos foram destruídos. Foto: Funai

Ao todo, participaram da operação 75 agentes da Funai, Exército Brasileiro, Polícia Federal, Ibama, ICMBio, Divisão para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério da Economia (Detrae), Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (FEMARH) e Polícia Civil de Roraima.

Os envolvidos se dividiram em três frentes de atuação na região ocidental da TI e na Floresta Nacional de Roraima, ao longo das calhas dos rios Mucajaí e Couto Magalhães, um dos principais focos de garimpo ilegal de grandes proporções. Para chegar até a região foram utilizados um helicóptero, oito embarcações e nove viaturas.

Walopali, que na língua yanomami-ninam significa “espírito da onça-pintada” e designa locais de força espiritual dos pajés, é também dá nome a Bape.

Terra indígena Yanomami

De acordo com a Funai, a TI Yanomami é a maior terra indígena do Brasil, com área de cerca de 9,6 milhões de hectares, onde habitam cerca de 26 mil indígenas dos povos Yanomami e Ye’kuana. O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras referências em estudo.

Estima-se que cerca de 7 a 10 mil garimpeiros estejam invadindo a Terra Indígena, acarretando em enorme impacto socioambiental, incorrendo na expansão de doenças, violência, desmatamento, assoreamento dos rios e contaminação por mercúrio nas comunidades.

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