Governo Bolsonaro sequer fala em ajudar Roraima em forma de compensação por ficar com ônus da crise migratória (Imagem: Divulgação)

Se havia alguma dúvida, as últimas movimentações do Governo Federal acabam por indicar a certeza de que não haverá ajuda federal para o Governo de Roraima na questão da crise migratória venezuelana. Nem mesmo o fato de o governador Antonio Denarium ser do mesmo partido está valendo mais, porque o presidente Jair Bolsonaro está em colisão frontal com as lideranças do PSL.

Não pesa mais a questão partidária nem afinidade pela “nova política” muito menos confiança em um governo estadual que se mostra sofrível e que foi notícia em nível nacional sobre o secretário estadual de Justiça usar presos, sem autorização judicial, para realizar uma obra em sua residência. Desenhando de novo: a “menina dos olhos” de Bolsonaro não é exatamente Roraima com o seu povo, e sim o que há no subsolo dessa região. Trata-se de um olhar de garimpeiro. Ponto final.

A nova fase da Operação Acolhida, anunciada no dia 03 de outubro pelo Governo Federal, visa criar um fundo privado para receber doações oriundas da iniciativa privada para o programa Operação Acolhida. Também foi assinado um Protocolo de Intensões para que haja incentivos aos municípios brasileiros para que recebem venezuelanos que serão interiorizados. Ou seja, nada de incentivo ao Estado de Roraima, nem aos municípios de Pacaraima e Boa Vista, que recebem o grande fluxo migratório.

A outra decisão será criar mais abrigos de transição, só que desta vez em Manaus (AM), que também tem recebido um grande número de venezuelanos. É como se em Roraima estivesse “tudo bem” e que a capital amazonense agora teria sua vez de ser ajudada. Ou o Governo Federal acha que é tudo invenção o caos que estamos vivendo (embora seja improvável porque ele tem o serviço da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin), ou definitivamente não quer (por não confiar) compensar o Estado por estar suportando a maior parte dos estragos provocados pela crise humanitária venezuelana.

Se o Governo Federal já deu sua certeza de que o Estado não terá ajuda direta para superar o caos, então chegou a hora de o governador de Roraima se unir a toda bancada federal para se rebelar com seus votos em Brasília. O Governo Federal só costuma ouvir os pequenos quando precisa de votos. O momento é agora. Mas terá o governador altivez política para isso? Muito improvável, pois suas ações se resumem a viajar por aí no pensamento fixo do agronegócio e postar fotos no Facebook para dizer que está trabalhando na “nova matriz econômica”

A bancada federal terá força e vontade para tomar uma atitude nesse nível? Muito difícil, pois enquanto Roraima se desmancha em crise tem senador passeando para o exterior, às custas da nação, como sempre fez em seu mandato como deputado federal. E outro fica gravando vídeo para desafiar e convidar adversários a vir para Roraima disputar rinha de galo. Alguns não mostram-se preocupados, de fato, porque estão bem longe, protegidos em seus gabinetes.

E o povo de Roraima sem saber a quem recorrer, desorientado e desacreditado. A panela de pressão está chiando…

*Colunista

 

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