Servidor mostra onde deveriam constar as placas e parafusos. Foto: Arquivo pessoal

A falta de placas e parafusos tem impossibilitado a realização de cirurgias ortopédicas no Hospital Geral de Roraima (HGR), conforme denunciou um médico da unidade nessa quinta-feira (17), durante vistoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

O servidor, que pediu para não ter o nome divulgado, mostrou aos membros da comissão e à imprensa que acompanhava a fiscalização, as caixas vazias onde deveriam constar o material cirúrgico.

“Para um osso quebrado de antebraço eu uso seis parafusos. Se quebrar os dois ossos, eu uso duas placas e, no mínimo, 12 parafusos. Mas não temos as placas 6, 7, parafusos 12, 14, 16, 18, 36 e 38. Não tem como operar paciente com esse material”, relatou o médico.

O médico explicou que só é possível saber qual parafuso será preciso usar, quando o paciente já está no centro cirúrgico. “Eu só sei na hora da cirurgia, na hora que uso a furadeira e meço. Como vamos anestesiar o paciente para chegar na hora e não ter esse material?”, questionou.

O que a Saúde diz
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) esclareceu que, após o fim do contrato firmado entre o governo anterior e a empresa responsável por fornecer insumos, abriu um novo processo para o plano anual de ortopedia, que contempla todos os tipos de materiais de fraturas.

A Secretaria destacou ainda que aguarda decisão do Tribunal de Justiça de Roraima sobre o pedido de suspensão de liminar que impede a dispensa de uma licitação feita pela pasta para o atendimento das demandas da ortopedia no estado.

“Por conta dessa situação, a direção geral do Hospital Geral de Roraima tem atendido as demandas conforme as necessidades mais urgentes”, disse a nota.

A Saúde diz que o serviço não foi paralisado por completo, e informa que quase 450
procedimentos cirúrgicos foram realizados este ano. “Atualmente a fila de espera é de aproximadamente 300 pacientes”, contabiliza, acrescentando que tem adotado todas alternativas viáveis para melhorar o atendimento à população.

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