O governador, Antônio Denarium (PSL) e a deputada estadual, Catarina Guerra (SD). Foto: Secom RR

Eleitos para os cargos de governador do estado e de deputada estadual, respectivamente, os novatos da política roraimense, Antônio Denarium (PSL) e Catarina Guerra (SD), venceram o pleito de 2018 com seus discursos austeros, inflamados pela renovação e alardeados pela premissa de fazer a diferença na gestão pública. Até então, eles só não tinham deixado claro ao eleitor que para chegar lá, o vale-tudo ainda é a carta coringa.

A conversa vazada entre a deputada e o governador, articulando a pretensa queda do presidente da Assembleia, Jalser Renier, caem aos pés da sociedade, quase que, metaforicamente, como uma máscara. Quem quer fazer uma nova política, deveria ter como principal bandeira de combate aos acordos pessoais. A deputada, que chegou à política ano passado, como aliada do presidente da Ale – compondo inclusive o mesmo partido, o Solidariedade – encravou um punhal nas costas de Renier ao planejar dispositivos questionavelmente éticos para destituí-lo do cargo de presidente, conquistado na base do voto. Inclusive com o dela, diga-se.

A deputada precisa entender que a Assembleia Legislativa de Roraima não é uma “capitania hereditária”. Não se toma o poder à força, tampouco ele deve se perpetuar de pai para filho. Para quem tem memória curta, Catarina é filha de Chico Guerra, ex-presidente da Assembleia, deputado por cinco mandatos consecutivos, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e impedido judicialmente de concorrer à cargos públicos. Se a preocupação fosse realmente com a Casa Legislativa, a tal conversa teria sido tratada entre deputados, não com o chefe do Executivo.

E pelo tom, ficou claro que a pobre menina rica, de fala doce e meiguice no olhar, não conhece a etnologia da palavra “fidelidade”, muito menos as consequências que a ausência deste ato podem acarretar.

Denarium, sem saber distinguir base aliada de oposição, insiste na tentativa de formular estratégias sem alicerces legais contra desafetos políticos ou pessoais. Mal sabe ele que sem o apoio da Assembleia, e de Jalser, mais especificamente, as pouquíssimas benfeitorias realizadas em sua gestão, a exemplo da manutenção de concursos públicos, não existiriam. Nesse ritmo, a gestão do “Cada dia Melhor” se esfarela por falta de condições técnicas e intelectuais de quem aprendeu a lidar com gente, logo após a lida com o gado. A passos largos, nos deparamos com a construção acelerada da impressionante marca histórica de governo mais medíocre que já passou pelo nosso Estado.

Sem cumprir promessas de campanha, a exemplo da manutenção do crédito do povo, de ampliação das escolas militares, de tantas outras palavras ditas ao vento em outubro passado, o governador entra em um pântano, onde os bons e os justos nunca estiveram. A história não nos deixa mentir: governos feitos só para os ricos não tendem a ter desfechos honrosos.  A dignidade pode manter os dois pés no chão em nome do bem coletivo, ou o desejo de ser maior a qualquer custo pode cobrar medidas menos democráticas e legais. Esta escolha separa ‘Ottomares’ de ‘Suelys’.

Ao povo de Roraima sobram decepções por não conseguir mais acreditar que a tal nova política seja realmente a melhor saída para os problemas graves que estamos vivendo há anos. Enquanto os esforços estiverem concentrados no “Combinado? Combinado!” pelo domínio de cadeiras ao invés do progresso da nossa gente, teremos, mais uma vez, que adiar o sonho de ver Roraima ir pra frente.

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