Se havia alguma dúvida sobre o que seria o governo de Antonio Denaium (PSL), então não existe mais. Quando o maior patrimônio do Estado, que é o funcionalismo público, começa a protestar é porque a situação chegou ao nível crítico. Ao menos quatro categorias anunciaram paralisação em protesto às condições de trabalho e questões salariais, na semana passada.

Denarium elegeu-se falando em valorização dos servidores públicos, mas a prática mostrou o inverso. As condições de trabalho só pioraram e o cenário indica que o governo não tem o menor interesse em proporcionar melhores condições de trabalho, muito menos melhorar a situação salarial das diversas categorias que há anos vivem no arrocho.

É  um governo perdido quando se trata de valorizar o funcionalismo, os pequenos produtores e ajudar os mais pobres. Na verdade, não se poderia esperar outra postura dessa administração, uma vez que Denarium nunca escondeu que seria o governo dos grandes empresários, os mesmos que sempre atuaram na penumbra do poder durante todos os governos.

É a mesma penumbra sob a qual age o governador, flagrado de calças curtas em um áudio que revela a conversa tramando uma conspiração com uma neófita para derrubar o presidente de outro poder. A trama é de uma infantilidade política tamanha que nem merece ser levada em consideração, a não ser o fato de servir para desnudar um governo que já se mostrava perdido e sofrível.

Enquanto Denarium brinca de governar pregando “mudança de matriz econômica”, privilegiando seus parceiros empresários e dando prioridade ao agronegócio, os setores mais importantes do Estado definham e a situação só não é pior porque forças federais estão ajudando a remendar os desmandos, a exemplo do sistema prisional e na segurança pública.

Enquanto isso, policiais civis e militares trabalham no sacrifício, com delegacias sem papel até mesmo para registrar ocorrência, viaturas sem gasolina, prédios caindo aos pedaços; servidores de abrigos em condições precárias e sendo obrigados a plantões desumanos; além de outras categorias que, além da falta de estrutura para desempenhar suas funções, estão com salários defasados.

A desmoralização é tanta que atrás do Palácio onde o governador despacha os venezuelanos invadiram um prédio do governo, onde ninguém mais pode entrar, servindo como exemplo de como essa administração perdeu o controle sobre a imigração. Nem mesmo em Brasília o governo consegue reunir forças para buscar compensações para a crise migratória que castiga o Estado, ou cobrar que o Governo Federal assuma suas responsabilidades.

Dentro deste cenário – com servidores públicos revoltados, pobres com benefícios sociais cortados, insegurança, desemprego, caos na saúde e crise migratória – é que o governador encontra tempo para brincar de tramar conspirações políticas diante de um Estado sem freio descendo ladeira abaixo. É um cenário deprimente para quem acreditou que esse governo poderia ser diferente.

*Colunista

 

 

 

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