O governador Antonio Denarium (PSL) está se tornando um aprendiz de feiticeiro. Embora venha transitando no meio desde quando aqui chegou, na década de 1990,  mas como emprestador de dinheiro a políticos a fim de financiarem suas  campanhas eleitorais, ele nunca esteve preparado para ser um administrador público.

A habilidade de Denarium é conceder empréstimo e receber com juros, sem fazer esforço algum senão cobrar. Isso ele sabe fazer muito bem a ponto de ter acumulado uma fortuna em menos de duas décadas . Ele prefere chamar

tal atividade de “antecipação de recebíveis”, mas desde a campanha eleitoral até hoje seus críticos e adversários políticos chamam isso de agiotagem.

E assim o aprendiz vem acumulando trapalhadas e seguindo conselhos que só o complicam, como uma conspiração contra outro poder constituído, a ponto de a rede de intrigas gerar crise institucional e jogar aliados na fogueira, quando vazou um áudio gravado dentro do gabinete do governador onde, em tese, só havia aliados.

Sem tino político e desprovido de habilidade necessária para lidar com ninho de serpentes comum nesse meio, Denarium se deixa levar por qualquer sussurro ou falácia. Está sendo conduzido por caminhos perigosos e influenciado por interesses às vezes obscuros ou até mesmo nem tão ocultos assim, mas os quais ele não consegue enxergar muito bem.

A “crise garimpeira” foi armada dentro das salas governamentais, por interesses de pessoas que estão lucrando com a mineração ilegal, por isso Denarium foi aconselhado a correr para Brasília em busca de solução (ou de uma falácia qualquer). De lá, anunciou uma inverdade ao afirmar que em 20 dias um projeto iria ser votado no Congresso para regularizar a mineração em terras indígenas. Só ingênuo ou desinformado pode acreditar nisso.

Regulamentar a mineração em terras indígenas não é fácil assim, senão as forças políticas do passado já teriam conseguido.  Para legalizar é necessário autorização do Congresso com anuência do Ministério Público e consulta às populações indígenas afetadas.  Isso exige anos de negociações e entendimentos.  E não há tempo agora para essa dura empreitada, diante de uma pacote econômico que acaba de ser entregue pelo governo.

Denarium pode até ter boas intenções. Mas é uma marionete que no máximo conseguirá o diploma de aprendiz de feiticeiro. Ele é refém de sua própria fraqueza política e intelectual. Corre o risco de ser  governador de um mandato só, e terá que voltar para seus negócios de “antecipação de recebíveis”, atividade classificada por seus adversários como agiotagem, conforme afirmou recentemente, no Plenário da Assembleia Legislativa, a deputada Betânia Almeida (PV). É só disso que ele entende mesmo.

 

*Colunista

 

 

 

 

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