Venezuelan men erect their tent to sleep as they wait to show their passports or identity cards next day at the Pacaraima border control, Roraima state, Brazil August 8, 2018. Picture taken August 8, 2018. REUTERS/Nacho Doce

 

Em nada contribui insuflar a população a partir para qualquer tipo de violência nessa questão da imigração em Roraima. A situação já está no limite, mas não é partindo para o extremo que sairá alguma solução, uma vez que esse papel de chamar a atenção da opinião pública foi feito com êxito pelos moradores do Município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.

Ainda que alguém tenha arquitetado esconder os venezuelanos nos abrigos e em seus redutos nas invasões em prédios públicos, a fim de impedir que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o vice-presidente Hamilton Mourão constatassem a realidade, o Governo Federal tem todas as informações necessárias sobre a realidade. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) emite relatórios constantes sobre a imigração e outros assuntos estratégicos para o país.

Sustentar o argumento de que escondendo os venezuelanos iriam ocultar os problemas da imigração é para quem desconhece a realidade ou pessoas mal intencionadas querendo provocar uma violência que nunca será boa para ninguém.  Precisamos agora de muita lucidez por parte de nossas autoridades para propor soluções e cobrar do Governo Federal para que ele assuma todas as suas responsabilidades, além da ação de acolher venezuelanos em Pacaraima e Boa Vista.

É verdade que essa tática de esconder venezuelanos – não se sabe com que verdadeira intenção – deve ser reprovada e precisa ser alvo de críticas, pois é papel da opinião pública monitorar a ação das autoridades e das instituições, mas nunca para servir de motivos para eclodir uma ação violenta por parte da população ou de setores da sociedade.

O primeiro passo já foi dado em Pacaraima, quando o Ministério Público chamou a responsabilidade para si, junto com outras instituições. O segundo passo foi a visita de Mourão já como coordenador do Conselho Nacional da Amazônia. O que não pode é nossas autoridades arrefecerem no propósito de colocar a situação da imigração como prioridade constante, uma vez que, após armar-se um circo midiático depois de um desdobramento polêmico, como foi o protesto de Pacaraima, tudo volta ao esquecimento.

As principais autoridades do Estado se posicionaram, inclusive a Assembleia Legislativa não tardou em enviar representantes para Pacaraima, mostrando que é possível manter um pacto apartidário e multi-institucional para propor soluções para a migração em massa de venezuelanos. O que não pode, nesse momento, é partir para a violência. O momento exige inteligência.

A população roraimense espera que esse momento possa servir como um marco para que o Estado supere os graves problemas migratórios. Se os governos não assumirem suas responsabilidades ou voltarem a desprezar a situação do Estado de Roraima, aí poderá ocorrer graves é imprevisíveis consequências, a exemplo de Pacaraima onde a realidade é insustentável.

*Colunista

 

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