Enquanto o governador Antonio Denarium faz farra com caipirinha, em seu gabinete, no Palácio do Governo,  como se no  Estado tudo  estivesse indo muito bem, a saúde pública continua descendo ladeira abaixo.  A demissão sumária do secretário de Saúde, Allan Garcês, que havia assumido o cargo há menos de dois meses com a missão de moralizar aquela pasta, é o indicativo de que nada mudou por lá.

A informação que circula nos bastidores é a de que a demissão –  sem que o próprio Garcês fosse comunicado e sem que houvesse uma justificativa oficial – trata-se de uma disputa entre um deputado federal e um senador, que brigam pelo comando da saúde, como sempre ocorre em secretarias importantes, com grande volume de recursos.  Significa que a bandalheira segue, com a complacência do governador que se mostra incapaz de assumir as rédeas da situação.

Denarium  elegeu-se prometendo limpar o Estado, mas vive no mundo da fantasia das redes sociais. Agora, seu novo brinquedo  é receber em seu gabinete os artistas que vêm tocar no Estado, seja ele de expressão nacional ou um tocador de teclado qualquer.  Desta vez, não hesitou em mandar servir caipirinha na mesa onde ele deveria estar tomando decisões importes, a exemplo da saúde pública, em vez de ficar farreando com seu cantor de preferência.

Sob a farra e a fantasia desse governo, os hospitais seguem na mesma penúria, com escassez de remédios e equipamentos, estrutura precária e desorganização. A maternidade pública vem pedindo socorro desde que Denarium assumiu, conforme foi relatado por duas vezes aqui, neste espaço, por meio de relatos de servidores.  Bebês estão morrendo de infecção e mães  sofrem nos corredores, mas o governador age com incompetência para consertar a bandalheira política que desvia os recursos públicos daquela pasta.

A falta de interesse é tão flagrante que o governador apressou-se em inaugurar o Estádio Canarinho, a fim de receber um time de futebol que foi rebaixado para a segunda divisão, enquanto não consegue inaugurar um bloco do Hospital Geral de Roraima (HGR), o que iria desafogar o atendimento naquela unidade hospitalar, a maior de Roraima e que sofre com superlotação e tem o prédio caindo aos pedaços.

No meio disso tudo tem ainda a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a corrupção na Saúde, mas que até agora não concluiu seu trabalho.  Tudo às custas do sofrimento do povo nas filas dos hospitais, cada vez mais precarizados com a chegada em massa de venezuelanos, um problema do qual todos se esquivam.

O governador tem uma grande culpa por esse desmando, seja porque deixa-se ficar refém da politicalha que se apossou da saúde pública, enquanto pensa que está administrando pelo Facebook ou age como se fosse o governador apenas para favorecer os empresários do agronegócio, enquanto o povo come o pão que o diabo amassou.

*Colunista

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