Salário mínimo irá para R$ 1.100 a partir de janeiro - Foto: Ilustração/Marcello Casal jr/Agência Brasil

A pandemia de coronavírus tem impactado o rendimento médio dos roraimenses e diminuído os salários. Dados do o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicados no fim de semana, apontam que o rendimento salarial dos trabalhadores em Roraima caiu 10% apenas em maio.

A pesquisa realizou uma radiografia dos efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial. No período, a renda média dos roraimenses foi de R$ 1.833, enquanto habitualmente seria de R$ 2.038.

Ainda de acordo com o levantamento, dos R$ 400 milhões que seriam pagos em salários no estado habitualmente, apenas R$ 360 milhões chegaram aos trabalhadores. R$ 70 milhões foram pagos via auxílio emergencial e R$ 80 milhões vieram de outras fontes.

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No entanto, Roraima ficou entre os estados menos afetados, juntamento com Rondônia e Mato Grosso. Na outra ponta, Pernambuco, Sergipe e Rondônia foram os estados mais abalados, com queda de 22% na renda.Regionalmente, o Nordeste foi mais afetado, alcançando apenas 80% da renda habitual. O Centro-Oeste, por sua vez, sofreu menos, recebendo 86%.

Os trabalhadores do setor privado com carteira assinada receberam 90% do habitual, enquanto aqueles sem carteira assinada receberam 76%. Os empregadores foram severamente afetados, tendo recebido 69% do habitual.

Mas o impacto mais dramático foi sobre os trabalhadores por conta própria, cujo rendimento habitual já era o mais baixo (R$ 1.820,81). Com a pandemia, eles receberam apenas R$ 1.092,12, 60% do habitual.

Os cabeleireiros, por exemplo, receberam efetivamente 43% do habitual. Entre outros setores severamente impactados estão trabalhadores em atividades artísticas, esportivas e recreativas (55%), transporte de passageiros (57%), hospedagem (63%), serviços de alimentação (65%), construção (71%) e serviços domésticos (74%).

Em relação à escolaridade, os efeitos foram decrescentes: 85% para quem tem ensino superior e 75% até o ensino médio completo.

Um dos dados mais relevantes é que um em cada três domicílios não teve nenhuma renda no trabalho, e 5,2% (cerca de 3,5 milhões de domicílios) sobreviveram apenas com os rendimentos recebidos do auxílio emergencial.

Os impactos da pandemia foram muito maiores entre os domicílios de renda muito baixa, onde a renda efetiva exclusivamente do trabalho foi de apenas 49% em relação à habitual. Por outro lado, somando-se todas as outras fontes de renda, inclusive o auxílio emergencial, a renda efetiva chegou a 99% da habitual. Em outras palavras, na camada mais vulnerável o auxílio emergencial cumpriu sua função.

Quando se considera a necessidade de reformas estruturais, o dado sintomático é que as carreiras públicas foram, de longe, as menos afetadas. Os trabalhadores do setor público com carteira assinada receberam em média 96% do habitual, enquanto a renda efetiva de militares e estatutários alcançou 98% do habitual

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