Deputados federais Sheridan e Nicoletti: entre o novo e a velha política (Fotos: Divulgação)

Uma surpreendente disputa pela Prefeitura de Boa Vista foi iniciada oficialmente a partir de ontem, quando todos os proponentes formalizaram  suas candidaturas mediante as convenções partidárias. O que chama a atenção é o envolvimento direto principalmente dos deputados federais querendo ser protagonistas, seja se lançando candidato ou o filho ou mesmo apoiando candidaturas diretamente.

O povo tem que ficar de olho nessas movimentações, pois há os que mal chegaram na política e já querem ser prefeitos e os que já estão em seguidos mandatos que sequer cumpriram com suas missões para as quais foram eleitos, mas se acham credenciados para comandar a Capital de Roraima, que tem um status de cidade-Estado.

Para início de reflexão, vamos pegar dois exemplos bem oportunos, um deputado federal estreante na política, Antonio Carlos Nicoletti (PSL), e uma deputada federal veterana, Shéridan de Oliveira (PSDB), no segundo mandato e ex-primeira-dama que conheceu muito bem os corredores palacianos, apesar de jovem.

Em 2010, como primeira-dama, Sheridan respondeu a uma ação civil por ato de improbidade administrativa por ter usado um avião do governo para trazer o funkeiro MC Sapão para tocar em sua festa de aniversário.  Ela decidiu por um acordo e ressarciu o dano provocado aos cofres públicos, dando o caso por encerrado. Naquela época, fazia até festa de aniversário para o cachorro de estimação. Mas essa é outra história.

Ainda como primeira-dama, em 2014, Sheridan respondeu a outra ação civil pública, junto com então marido, o governador Anchieta Júnior, já falecido, desta vez  para anulação de título definitivo  concedido a um imóvel rural de forma irregular, emitido pelo Instituto de Terras e colonização  de Roraima (Iteraima), inclusive com emissão de recibo de compra e venda fraudado.

Esse caso ganhou ampla repercussão na mídia na nacional como o caso da piscina em forma de “J” (de José de Anchieta Junior) na propriedade alvo da investigação, servindo de chacota política, já que naquela época ainda não havia memes.

Tem mais. Sheridan comprovou ser campeã de ausência em Roraima, sua terra natal. Ela ficou passeando e namorando em estados diferentes (passou do Amazonas para Tocantins), esqueceu o Estado e passou a trabalhar meia-boca, apenas para não ter o ponto cortado. O resultado disso é que, em 2017, Sheridan não conseguiu destinar nenhum recurso para Roraima, assim como ocorreu em 2015, seu primeiro ano de mandato. Zero recursos por dois anos. Ela pode passear e namorar à vontade, mas desde que cumpra com suas obrigações como parlamentar.

Não há qualquer justificativa para deixar de conseguir recursos para o Estado. Conseguir recurso para o Estado é o principal papel de um parlamentar federal que representa uma população pobre, tal como é a de Roraima.  Enquanto isso, fotos de farras com namorados não faltaram nesses últimos anos, depois que ela se separou do ex-governador Anchieta Júnior, que acabou falecendo de infarto fulminante depois da segunda separação.

O candidato a vice-prefeito dela é Zé Haroldo Cathedral (PSD), que é novato na política, mas é filho do deputado federal Haroldo Cathedral (PSD), que ainda precisa honrar os votos que recebeu. Zé se enaltecia como um novato com boas intenções de renovar e moralizar a política. Mas escolheu a velha política, depois que descobriu que não tinha cacife para sair candidato a prefeito. É a candidatura que pode ser chamada de a panela e a tampa.

Novato, mas já com vícios

Esta coluna já comentou outras vezes sobre Antonio Nicoletti, que se elegeu como um não político colado na imagem do então candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, hoje sem partido, pregando família, Deus e a Pátria, bem como a moralização e o fim da velha política.

Mas logo começou a botar as unhas de fora, traindo não só o governador Antonio Denarium (PSL), que se elegeu pelo mesmo partido e também com a imagem colada na onda bolsonarista, mas traindo também o próprio presidente Jair Bolsonaro. Aí fica evidenciada uma característica de quem aprendeu muito bem com a velha política, a quem ele prometeu combater.

Sem contar que ele foi pego várias vezes fazendo bravatas, ora dizendo que iria prender índios que fechassem a BR-174 com corrente no Posto de Jundiá, entrada/saída da Terra Indígena Waimiri-Atroari; ora afirmando que foi ele quem pediu a operação da Polícia Federal no caso de corrupção na saúde estadual, quando foi desmentido pela própria PF. Sem contar que o vídeo do lançamento de sua candidatura  prefeito, em que foi dito que ele teria apoio de Bolsonaro, foi solenemente desmentido pela família do presidente.

Como a internet não perdoa, por fim surgiu a informação de que Nicoletti teve que recorrer judicialmente depois de ter sido  reprovado no concurso para policial rodoviário federal. Motivo: ele foi reprovado no exame toxicológico. Só conseguiu assumir o cargo mediante liminar, depois de alegar em sua defesa que estava em tratamento de saúde para se livrar das drogas. Enfim…

Hora da reflexão

Então, eis aí dois casos para serem analisados sob a luz do que se apresenta como novo e de quem já está sob o manto da velha política. São apenas pinceladas do que virá durante esta campanha eleitoral, que terá dez candidaturas disputando a Prefeitura de Boa Vista.

Esses dois casos servem como lampejos para o início de uma grande reflexão sobre o que queremos daqui para frente.

*Colunista

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