População perdeu o medo da pandemia, deixando de adotar os procedimentos básicos

Dificilmente o ano que se passou sairá de nossas memórias não apenas pelas grande dificuldades que a pandemia nos submeteu, transformando nossos hábitos e atitudes de forma definitiva, além da dor pela morte que levou familiares, amigos e conhecidos. Também pelo aspecto positivo de termos sobrevividos até aqui a uma doença letal e de superar adversidades em tempos de crise.

Por isso, iniciamos um novo ciclo carregados de novas esperanças de que a vida retome seu curso normal, ou o “novo normal”, especialmente na esfera política, com os governantes assumindo a prioridade na saúde pública, especialmente no atendimento primário, onde as prefeituras fingiram que a grande responsabilidade não era com elas.

Os especialistas já alertaram que há riscos de que pandemias muito piores estão por vir, o que significa que nossos políticos, governantes e outras autoridades, em todas as esferas, tenham essa preocupação como uma das principais prioridades dentro da saúde pública.

As eleições que se passaram comprovaram que os políticos não estão preocupados com a vida das pessoas, fazendo os governos perderem o controle da situação, com a população sofrendo as consequências de uma campanha eleitoral que escancarou a falta de cuidados básicos para prevenir a doença nas aglomerações provocadas nas reuniões e comícios políticos.

Manaus (AM) é o maior exemplo negativo, onde o coronavírus voltou a castigar a população. Boa Vista corre o risco de experimentar uma realidade semelhante, pois, além de a Prefeitura de Boa Vista não ter assumido sua responsabilidade no atendimento básico, onde até hoje faltam médicos nos postos de saúde, a então prefeita Teresa Surita (MDB)  entrou em uma corrida para eleger seu sucessor e para colocar seu nome em evidência em uma campanha eleitoral antecipada para 2022.

A consequência disso foi uma série de aglomerações provocadas por inaugurações de praças públicas, inclusive inaugurando uma nova orla inacabada, o Parque Rio Branco, apontada por ela com seu grande legado para que seja lembrada para sempre.

Bem antes disso, a Prefeitura já havia perdido o controle no combate e prevenção ao coronavírus, como parte da estratégia eleitoral, uma vez que a população não estava ligando mesmo para os alertas de prevenção. E é por isso mesmo que há riscos de uma nova onda da doença surgir a qualquer momento.

Na outra ponta, o Governo do Estado vinha perdendo uma guerra no combate à corrupção dentro da saúde pública, o que só agravou esse cenário, onde as pessoas batiam à porta dos postos de saúde, mas eram obrigadas a recorrer ao já colapsado Hospital Geral de Roraima (HGR) e, mais tarde, ao Hospital de Campanha, erguido sob uma briga politiqueira iniciada pela então prefeita na tentativa de desgastar mais ainda o governador Antonio Denarium (sem partido), revelando o desprezo pela vida da população.

O resultado das eleições municipais apontaram que a população não estava preocupada com essa grande questão da saúde pública devido à pandemia, até porque esse foi um fenômeno nacional de ignorar os riscos e até ironizar a situação das pessoas que estavam sofrendo ou morrendo no mundo.

Mas a sociedade organizada não pode jogar a toalha e precisa cobrar a prioridade na saúde pública, principalmente porque os políticos não estão ligando para o problema nem o povo mostra força para se rebelar com o que está ocorrendo.

Esse é o grande desafio daqui para frente, além de renovar o compromisso de lutar por uma saúde pública como garantia não apenas de bem-coletivo, mas de sobrevivência mesmo. Não se trata de partidarismo ou dentro dessa dualidade alimentada de ser de direita ou de esquerda. Trata-se de uma garantia constitucional que precisa ser monitorada custe o que custar.

Esta coluna apenas segue com o compromisso de monitorar o poder em todas as esferas. Porque nossos governantes só costumam agir quando sabem que estão sendo monitorados. E esse é o grande papel da imprensa, seja em que tempo e circunstância.

Seguiremos como instrumento de monitoramento em favor da coletividade. Esse é o nosso compromisso que queremos renovar, já que ficamos sem atualizar essa coluna por algum tempo devido a problemas particulares.

Estamos de volta!

*Colunista

Deixe seu comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here