Idosos da Casa do Vovô foram vacinados na segunda-feira (1º). Foto: Divulgação/Sesau-RR

Em 18 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde iniciou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19, seguindo as diretrizes do Plano Nacional de Operacionalização e dos Informes Técnicos baseados no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Como no primeiro momento a disponibilidade de doses foi limitada, houve a necessidade de se definir grupos prioritários para a vacinação, a partir de critérios como maior vulnerabilidade e de alta exposição ao vírus.

Muitos questionamentos vieram à tona com o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. A pediatra e vacinóloga Socorro Martins explica que o objetivo da campanha de imunização é a redução da mortalidade, bem como a manutenção do funcionamento da força de trabalho dos serviços de saúde e dos serviços essenciais.

Atualmente, há duas vacinas licenciadas com registro emergencial: a Coronavac e a vacina de Oxford. Veja abaixo as explicações da médica sobre os imunizantes:

Coronavac

A vacina Coronavac, do laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, utiliza uma tecnologia muito antiga e conhecida, a de vírus inteiro inativado, isto é, utiliza-se o vírus “morto”, que não é capaz de causar a doença, mas que garante uma resposta imunológica do organismo.

Segundo a vacinóloga Socorro Martins, a Coronavac se mostrou bem tolerada, com poucos eventos adversos leves, dor no local da aplicação (19%) e dor de cabeça (15%). É utilizada em duas doses, com intervalo de 2 a 4 semanas.

Ela apresentou uma eficácia total de 50,39%. Para as formas leves, com necessidade de algum tipo de assistência, a eficácia foi de 77,9%, e, para as formas moderadas ou graves, não foi constatado nenhum caso nos vacinados, porém ainda sem significância estatística.

Vacina de Oxford

Já a vacina de Oxford/Astra Zeneca, em parceria com a Fiocruz, utiliza uma nova tecnologia denominada de vetor viral não-replicante, isto é, insere-se em outro vírus alterado em laboratório a proteína do novo coronavírus, de maneira que ela seja transportada para o organismo e assim haja uma resposta do sistema imunológico.

Está sendo utilizada em duas doses, com intervalo de 90 dias entre elas. Apresenta bom perfil de segurança, além de eficácia global de 70% na primeira dose e 90% na segunda dose.

Segundo a pediatra, estudos preliminares apontam que ela também atua na transmissão do novo coronavírus, o que contribui para diminuição da sua circulação. Socorro Martins finaliza fazendo um alerta sobre a disseminação de informações incorretas sobre o assunto.

“Precisamos lutar pela garantia de acesso universal aos imunizantes para toda população, além de combater a desinformação e as fake news que deixam as pessoas inseguras, descrentes das vacinas e, muitas vezes, hesitantes em se vacinar”, disse.

Ela complementa afirmando que o que caracteriza a qualidade, segurança e eficácia de uma vacina não é sua nacionalidade, mas, sim, o cumprimento de todo rigor científico no seu processo de desenvolvimento e se ela consegue atender todas as especificações técnicas exigidas pelos órgãos sanitários regulatórios no momento do licenciamento.

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