Foto: Adriano Machado/Reuters

Em sua primeira viagem internacional de 2022, o Presidente Jair Bolsonaro (PL) realizará visitas oficiais a países localizados ao norte da América do Sul.

Nesta quinta-feira (20), Bolsonaro chegará a Paramaribo, capital do Suriname, e no dia seguinte (21), seguirá para Georgetown, capital da Guiana.

Os convites foram feitos ao presidente brasileiro antes do início da pandemia da Covid-19. De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, “a viagem presidencial ocorre no contexto do fortalecimento das relações bilaterais, em cenário de retomada do diálogo estratégico entre os governos e de perspectivas de maior desenvolvimento econômico e social no Suriname e na Guiana, impulsionado pelas descobertas recentes de petróleo e gás”.

Em um primeiro momento, o governo brasileiro deve prestar assistência e cooperação técnica, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e da Petrobras.

“Essa cooperação pode evoluir, mais para frente, para negócios, mas é uma decisão da Petrobras”, explica o Secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva. Para o embaixador, a descoberta também pode despertar a disposição de empresas do setor privado.

O interesse brasileiro, porém, pode ser também uma manobra diplomática para marcar presença na região. A nova fonte de petróleo já chama a atenção de outros países na América do Sul, como da Venezuela, e em outros continentes, por exemplo na Europa e na Ásia.

Para a professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, a viagem do presidente brasileiro pode não resultar, em um primeiro momento, em um acordo com resultados práticos. Mas deve ter um significado importante, por exemplo, para “mostrar que o Brasil está disponível”.

Energia e gás

Além do petróleo, o Brasil tem interesse em explorar ligações com os países, por meio da construção de redes elétricas e gasodutos. O tema é embrionário, mas deve ser pautado nas reuniões bilaterais.

Para o secretário do Itamaraty, o investimento tem potencial, inclusive, para estimular o comércio de energia na região. “Quanto mais você tiver a América do Sul interligada, maior será a segurança dos países. Porque haverá um fluxo energético”.

Comércio

Embora as participações do Suriname e da Guiana representem uma pequena parcela da balança comercial brasileira, os resultados do comércio entre o Brasil e os países saltaram, em meio à recuperação econômica da Covid-19.

Em 2021, as exportações brasileiras à Guiana cresceram em cerca de 171%, alcançando a marca de US$ 111,7 milhões. Apesar de menores, as exportações ao Suriname tiveram um aumento de 18% e alcançaram a marca de US$ 38,5 milhões.

Os números são positivos, porém a falta de infraestrutura na rota que liga os países, serve como um freio para um ambiente mais competitivo.

Especialistas também apontam que há uma carência de acordos de facilitação do comércio entre os países, para evitar, por exemplo, que a mercadoria precise ser trocada de caminhões na saída e entrada dos países.

“A gente ainda exporta muito pouco para esses países. Nós não somos os principais parceiros deles, apesar de sermos vizinhos. Então isso é uma coisa que a gente quer mudar. Isso depende de ter mais e melhor infraestrutura, como estradas, transporte marítimo, para que as nossas mercadorias cheguem melhor lá”, explica o embaixador do Itamaraty.

A Guiana aposta na construção de um porto de águas profundas, com possibilidade de conexão a uma rodovia e linha férrea, para aumentar o comércio na região.

A embaixada do país no Brasil informou, por meio se nota enviada à CNN, que a Guiana oferece o menor e mais rápido acesso ao Atlântico, para regiões importantes do Norte do Brasil. “Uma rodovia conectada a um porto de águas profundas poderia servir de interesse a ambos os países”.

Segurança nas fronteiras

Enquanto os governos buscam investimentos em infraestrutura para ampliar o comércio, a fronteiras que corta os dois países e os estados do Amapá, Roraima e Pará, enfrenta outros problemas.

Um deles é a dificuldade de fiscalização em áreas de florestas densas, que possibilita a abertura de garimpos. O Suriname, por exemplo, é o menor país da América do Sul e uma das nações com maior área florestada no mundo.

A travessia ilegal de fronteiras na região da Amazônia Legal deve ser um dos principais temas de discussões consulares, entre os chefes de estado.

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