Imagem: Divulgação/Google

Para governos mal intencionados, a Educação nunca é prioridade. Em Roraima, os seguidos governos nunca conseguiram pôr ordem para organizar o início do ano letivo na rede estadual de ensino. Houve tempo em que os problemas começavam na hora da matrícula, revelando uma completa bagunça nas escolas no fim de cada ano.

Depois, no início do ano seguinte, a desorganização seguia na Secretaria de Educação, onde as renovações de contratos de professores temporários não eram feitas a tempo (ou seja, nem concurso público era realizado) e o transporte escolar paralisava porque também ninguém se preocupava em realizar o novo processo de licitação.

Na troca de governo, esses problemas só se acentuavam, porque havia a desculpa de que a administração estava assumindo e precisava tomar pé da situação. Foi o que aconteceu com esse atual governo, de Antonio Denarium, que adiou o início do ano letivo e, pior ainda, adiou mais ainda o início das aulas nas escolas do interior e das comunidades indígenas.

Embora haja a desculpa de mudança de governo, Denarium assumiu ainda no início de dezembro como interventor federal, o que não justificaria a troca de governo como desculpa. Sem contar que ele nomeou como titular da pasta uma cunhada que já era experiente na Educação e elogiada como boa profissional. Portanto, nada justifica todo esse atraso (as aulas do interior começam hoje e as das escolas indígenas irão iniciar somente na segunda-feira).

A avaliação que se pode ter a respeito disso é que a Educação nunca foi prioridade dos governos e tudo indica que não é dessa atual administração. É verdade que Denarium herdou uma administração sucateada, mas é fato que ele teve tempo suficiente para montar o mínimo de organização para não prejudicar os estudantes da rede estadual, caso elegesse a Educação como prioridade.

O que preocupa mais é que Denarium também é do mesmo partido do presidente Bolsonaro, o PSL, e foi eleito graças à onda de apoio à candidatura dele pela moralização e mudança do país. E o que vimos como uma das primeiras medidas em 100 dias de governo Bolsonaro foi apressar-se em facilitar o uso de armas pelo cidadão e anunciar corte de verbas para a Educação, adotando a política de “mais armas e menos Educação”.

Pelo quadro que se desenha, existe um projeto de governo que visa minar a Educação e ir à desforra contra qualquer forma de pensar criticamente. Em Roraima, o sucateamento da escola só aumentou nos últimos governos e alcançou o nível máximo de falta de prioridade, com o ano letivo para alunos indígenas e filhos de pequenos agricultores iniciando na segunda quinzena de abril.

Por mais incrível que isso possa parecer, esse fato não indignou a população nem alarmou a imprensa. Todos aceitaram calados, seguindo o pensamento de muitos produtores rurais, que apoiaram esse governo de empresários, que desprezam comunidades indígenas e querem ver longe os pequenos produtores rurais.

Se for mesmo um projeto de governo suprimir o máximo possível a Educação do povo, então os planos começaram bem, de cima para baixo e de baixo para cima. Desta vez, em Roraima, não tem nem como colocar a culpa na imigração venezuelana…

*Colunista, idealizador do site www.roraimadefato.com.br

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